domingo, 23 de maio de 2010

Reparadores de brechas

O dia estava fresco. Era uma manhã cor de prata. Em baixo da Samanea o vento soprava levando minhas lágrimas embora. Por que alguém choraria em baixo de uma árvore tão linda, num parque que mais parecia um paraíso? A realidade me parecia tão assustadora. Eu pensei em família. Vi muitos casais com seus filhos. Uma mãe tentava dar uma resposta a criança que perguntava por que o papai não fora brincar com ele. Lembrei-me de tantos casos que tenho acompanhado, de famílias totalmente desestruturadas. Eu perguntei a Deus como uma ideia tão linda e sublime se transformou num pesadelo para muita gente. A família está cada vez mais doente.
O casamento é quase uma instituição falida. Quase. Se a família está em crise, a sociedade toda sofre e também entra em crise. Desajustes familiares causam verdadeiros terremotos sociais e espirituais. O que mais vemos em nossos dias são pais ausentes, mães que assumem todos os papéis de liderança de uma casa, avós criando os seus netos, adolescentes gerando filhos, jovens em crise de identidade e inseguros, e assim por diante. Tudo isso é fruto do naufrágio familiar que o nosso país mergulhou nas últimas décadas.Os lares precisam ser restaurados e os relacionamentos curados. Porque no jogo da vida, nenhum sucesso compensa o fracasso na família. Podemos perder ministério, trabalho, amizades, finanças, e até mesmo a saúde. Mas, se perdermos a família, o trauma espiritual e social é gigantesco. Entretanto não podemos fazer da nossa "herança espiritual" uma desculpa para a nossa irresponsabilidade moral. Todos nós temos a chance de ser o (a) reparador(a) de brechas. Os erros dos nossos pais não justificam os nossos.
No capítulo 6 do livro de Juízes, vemos um verdadeiro reparador de brechas e seu nome é Gideão. Ele era filhos de Joás, e estava malhando trigo num tanque de prensar uvas, para escondê-lo dos midianitas. O Anjo do Senhor apareceu a Gideão e lhe disse: " O Senhor está com você, poderoso guerreiro." (Juízes 6.11-12)
Gideão não deixou o inimigo roubar a sua colheita. Atualmente nós também devemos ter discernimento do inimigo. Negar ou ignorar a existência de Satanás é o caminho mais fácil para fazer o que ele quer. Enquanto não estivermos atentos as investidas dele nossos sonhos continuarão sendo roubados, nossas famílias continuarão sendo destruídas, a sociedade continuará naufragando. Por isso não devemos nos esquecer dos grandes feitos de Deus. Gideão queria o agir de Deus.
Ele estava lembrando quão grande é o poder de Deus, enquanto as outras pessoas o tinham esquecido. (Juízes 6.13)
Sozinhos, com as nossas limitações nada podemos fazer. Mas a fraqueza humana sempre combina com o poder de Deus. Eu não tenho poder para fazer um casal se reconciliar, eu não tenho palavras para tratar uma jovem que sofreu abusos dentro da própria família, eu não tenho poder para mudar as circunstâncias e os corações das pessoas. Mas Deus tem! E Ele procura pessoas dispostas a interceder por suas famílias e a construir uma nova geração familiar.

"Então Gideão edificou ali um altar ao SENHOR, e chamou-lhe: O SENHOR É PAZ; e ainda até o dia de hoje está em Ofra dos abiezritas. E aconteceu naquela mesma noite, que o SENHOR lhe disse: Toma o boi que pertence a teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derruba o altar de Baal, que é de teu pai; e corta o bosque que está ao pé dele. E edifica ao SENHOR teu Deus um altar no cume deste lugar forte, num lugar conveniente; e toma o segundo boi, e o oferecerás em holocausto com a lenha que cortares do bosque." (Juizes 6.24-26)

Joás era um servo de Baal. Estava espiritualmente amarrado e sua família estava completamente contaminada. Entretanto, Gideão se colocou na brecha e intercedeu por sua família. Ao substituir o altar de Baal pelo altar do Senhor, através de um profundo arrependimento de caráter corporativo e intercessório, ele consertou o telhado espiritual de sua família. Antes de ser derrubado na nação, Baal foi derrubado na família de Gideão. Da mesma forma, Deus espera que nós sejamos reparadores de brechas, restauradores de veredas.
"E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador de brechas, e restaurador de veredas com moradias." (Isaías 58.12)
Ao me lembrar dessas palavras, em baixo da Samanea, as lágrimas foram substituídas por um sorriso. Não que a tristeza tivera passado. Mas diante de mim havia esperança. Alguns passos depois encontrei-me com um senhor de aproximadamente 80 anos de idade, 56 anos de matrimônio, 13 netos e uma família construída com fé e amor. Fiquei admirada com o jeito dele falar de sua esposa. Segundo ele uma mulher de beleza inestimável e imperecível, com uma fé inabalável. Uma verdadeira flor. O ágape estava presente em cada palavra que ele usara para falar de Amélia. Então, uma voz dentro de mim sussurrava: "há esperança, minha filha!"
Sim, é preciso coragem, padrões elevados e muita fé. Mas eu creio que minha família será construída numa base forte, porque decidi ser uma reparadora de brechas. Ainda que não haja exemplos em minha própria casa, ainda que eu veja vários casamentos em crise, eu creio que minha história será diferente, porque se Jesus está no meu barco, ele não vai naufragar!

"Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança." Jeremias 29:11

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu quero ir...


Você já se sentiu incomodado(a) quando parou para pensar que a breve vida aqui é apenas um ensaio para a eternidade? É incrível como investimos o nosso tempo nas coisas que ficarão aqui.
Mas a verdade é que existe um depois do aqui e agora e todos nós avançamos a passos largos para lá. A vida aqui é breve, e olha como nós a vivemos... Temos tão pouco tempo aqui... e não deveríamos investir na superficialidade. Deveríamos amar profundamente com ações, deveríamos nos alegrar profundamente ao lado de Cristo, deveríamos conhecer profundamente o Criador...enfim.
A vida é mais do que rotina e responsabilidades, é mais do que realizações. Confesso que ultimamente tenho sentido saudades... saudades de uma época em que o rio não cessava, a escuridão não tinha espaço em lugar algum, o firmamento era cheio de esplendor e o amor era a linguagem universal. Incrível não? Mas a verdade é que este lugar ainda existe, e Ele ocupa o espaço de todos aqueles que decidem ir.. ir pelo caminho. E o destino é Ele mesmo. Nos movemos nEle e avançamos para Ele!
Como podemos nos distrair? Como conseguimos deixar que a rotina, os afazeres e as responsabilidades desvie os nossos olhos?

"Neste caminho há um Homem de cruz
com uma história e uma eterna luz
Ele mudou meu destino, amigo a me entusiasmar
Jesus eu sigo seus passos
Me apóio em teus braços
Se estou perdido no espaço
Teus braços são meus laços" (Lucas Souza)

Talvez a saudade seja apenas um desapertador para que nossos olhos se abram para a beleza que nos cerca. Porque ainda que seguimos dia após dia no caminho, nem sempre estamos atentos à claridade do amor e como cegos, caminhamos insatisfeitos.
Chega de perder tempo. Somos livres para caminhar em profundidade! Somos livres para conhecer cada detalhe do caminho! Temos liberdade para seguir a sinfonia dia após dia! Podemos experimentar algo maior que o sucesso. Precisamos adquirir bens imperecíveis e eternos. Precisamos dar o nosso amor ao mundo como se fosse a última gota de um oceano. Vamos seguir em intimidade com Jesus! A paixão não terminou, a chama não se apagou... eu quero ir!


"Eu quero ir onde olhos não alcançam
Onde as mãos jamais tocaram
Eu quero ir...

Eu quero ir onde o sol não se apaga
Onde o amor não se acaba
Eu quero ir...

Há um caminho mais alto
Há um amor mais profundo
Há um destino traçado que me leva a Você.

Eu quero ir onde a paixão não vai embora
Onde a esperança não se esvai
Eu quero ir...

Eu quero ir onde a canção não terminou
Aonde a chama é sempre acesa
Eu quero ir...

Há um caminho mais alto
Há um amor mais profundo
Há um destino traçado que me leva a Você.

Eu quero ir
Eu quero ir
Eu quero ir..." (Lucas Souza)

domingo, 4 de abril de 2010

Está ouvindo?

São três da manhã e alguns sonhos jogados pela janela. A noite é bem vinda quando se deseja esconder o choro. De repente há um peso sobre a cabeça, esmagando a esperança e provando a fé. As instabilidades são tão constantes que adquirem um aspecto estável. Bem vindo a vida real!
Parece que um furacão passou e a única maneira de se sentir melhor é de joelhos dobrados. Embora o quarto esteja vazio, nesse momento você se sente em chamas... e cada palavra despejada acerta em cheio cada parte do seu ser.
Sim, bom seria se tudo acabasse... e surge um pensamento meio que suicida: você é tentado a matar seus sonhos, sua esperança. Não a vida em si. Mas se os sonhos e a esperança acabam, então o que resta da vida?
Então, como o vento espalha as folhas no outono, uma voz oferecendo ajuda afasta esses pensamentos...
E não se pode medir o quanto a nossa dor O afeta. O egoísmo de querer carregar os fardos se vai, e em algum lugar há força para lançá-los a pessoa certa. Tolice seria manter os olhos fixos ao redor.
Mas um par de brilhantes olhos, visível apenas ao espírito, nos mantêm fixos, presos, seguros...
E de repente não importa o tamanho da dor, dos problemas ou do desespero... a paz reina!
Porque aquele que fala possui um amor infinito, uma bela sinfonia. E quanto mais o chão parece estar escorregadio, melhor você entende a dinâmica da dança... e assim, de olhos fechados, sua vida se move ao som da bela canção. E ela vem sendo entoada desde que o mundo nem era mundo. Na verdade ela sempre existiu, mesmo quando o nada existia.
Com o tempo você entende e se pergunta: por que tantos defendem um evangelho "água com açúcar?".
E quando a crise chega você compreende e testifica que segui-Lo é mais complexo. Nem sempre o sabor é doce. Ás vezes as coisas são tão turvas quanto um copo de água suja e você não consegue enxergar.
Algumas coisas precisarão ser mudadas, outras sacrificadas, mas a música nunca para. É sempre a mesma melodia que você não consegue contemplar com o paladar ou com a visão. Não é doce, nem translúcida. Mas quando dançamos ao som da música, de repente há doce no fel, há claridade na escuridão e o espírito se alegra!
A crise continua, mas há algo diferente dentro de você... é a música!
Psiu, silêncio! Você consegue ouvi-la?

Ps: Nem sei muito bem o que escrever nesse ps, mas vou tentar. Essas palavras surgiram num dia meio estranho. Num daqueles dias em que você mergulha dentro de si mesmo. Em parte isso não é bom, porque sempre haverá algo além de nós mesmos. Mas não posso negar o meu eu humano. É evidente a luta entre as duas naturezas, as duas faces de mim mesma. E quando tudo parece explodir, o Espírito Santo nos lembra que há um Deus, uma música, uma sinfonia. Então você se lembra de que nem tudo tem explicação, que seus sentimentos oscilam, mas isso não pode afetar a dança. E tudo o que eu mais quero agora é fechar os meus olhos, esquecer-me que o chão está escorregadio, e dançar com meu Amado a nossa música. Quer dançar também?

sábado, 27 de março de 2010

Variáveis dependentes

{Imagem por Coralie}
Enquanto escrevo me lembro das tardes em que eu brincava de imitar heróis com meus amigos. Eu era a Sailor Moon. hehe
Naqueles minutos eu me sentia a heroína, parecia que nada era capaz de me ferir. São boas lembranças da minha infância. Mas com o tempo vamos crescendo e de repente agente se dá conta do quão frágil somos! Há pessoas que se dizem fortes e bem resolvidas. Mas no porão de suas almas há medo, angústia e solidão. Hoje deparei-me com a minha fragilidade. Por uns instantes "me fiz de Sailor Moon". Ri de mim. Sim, há momentos em que as palavras não saem, o peso é grande e a esperança fica distante, como pólos iguais de um imã, a alegria se afasta de nós. E de repente você entende que não pode ser um super herói, que as palavras podem ferir mais do que espadas afiadas, que você não pode salvar todo o mundo, que seu peito não é de aço, que você não tem poderes especiais para se defender, que as pessoas nem sempre lhe serão gratas, e que para ter grandes responsabilidades não precisamos ter grandes poderes.
Então eu entendi o quanto necessitamos de alguém. Não simplesmente alguém, mas O Alguém! E Ele se chama Jesus. Assim como os lindos satélites naturais necessitam das estrelas para mostrar ao universo a sua beleza. Assim como a Terra precisa da atmosfera tal como ela é. Assim como as reações químicas precisam das colisões entre as moléculas para acontecer. Assim como a velocidade depende da variação do espaço e do tempo. Assim como a cadeia alimentar necessita de produtores e consumidores para existir. Assim como a vida necessita da água. Como a fotossíntese depende da luz, como o som necessita de um meio material para se propagar... assim dependemos de Deus. Há pessoas que preferem não acreditar nisso, são auto suficientes. Eu fui assim, sei quão vazio e sem sentido é esse caminho. Há uma música que diz "que o vazio no peito é do tamanho de Deus". Sim, há no coração humano um espaço que nada e nem ninguém pode ocupar. Essa é a razão da existência de tantas religiões e da crença em tantos deuses. Até mesmo os ateus tem os seus deuses. Mas nós, que completamos essa lacuna, sabemos que Jesus é o único capaz de fazê-lo! Que só existe um Deus, o Verdadeiro, Único e Digno! Entretanto, muitas vezes tentamos nos fazer de heróis. Esquecemos que somos dependentes. É como numa equação matemática, somos as variáveis dependentes do Constante Independente Deus. Aí começamos a andar em águas rasas e não experimentamos a profundidade do nosso relacionamento com o Pai. Por alguns instantes paramos e nos perguntamos: porque está abatida a minha alma? E um suave conselho toca os nossos corações como uma melodia: espera no Senhor, dependa dEle!
Ás vezes precisamos parar por uns instantes e admitir as nossas limitações. Não é feio chorar. Feio é mentir com um sorriso vazio e sem sentido. Não é fracasso admitir-se incapaz de realizar algo sozinho. Fracasso é acreditar na mentira da auto suficiência. Não é tolice dizer estou com medo. Tolice é bater firmemente a mão no peito e dizer que não tem medo de nada. Não é fraqueza admitir que alguém conseguiu ferir profundamente o seu coração. Fraqueza é não perdoar.
Ás vezes é mais fácil fazer de conta que está tudo bem, mas o que podemos esconder daquele que nos conhece melhor que nós mesmos? Chore, confesse seu medo, Ele não vai rir. Diga a Jesus aquilo que tem lhe tirado o sono, que tem roubado o sorriso dos seus lábios. Diga a Ele aquilo que tem lhe privado de experimentar a alegria da salvação. Fale para o Senhor em como você foi ferido, e peça que Ele lhe ajude a perdoar. Abra o seu coração, fale dos seus sonhos mais estranhos e absurdos, diga a Ele como você se sentiu ao conversar com aquela pessoa especial. Não esconda a sua angústia, aquele sentimento que está incomodando sua alma. Não hesite contar a Ele o que tem lhe tirado o sono e a causa das sua lágrimas incessantes. Ele está ansioso para ouvir você, Ele não vê a hora de você viver na dependência do infinito amor que Ele tem por ti. Não seja independente... Ele é o único Herói nessa história!

"Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. Porque eu, o SENHOR teu Deus, te tomo pela tua mão direita; e te digo: Não temas, eu te ajudo. Os aflitos e necessitados buscam águas, e não há, e a sua língua se seca de sede; eu o SENHOR os ouvirei, eu, o Deus de Israel não os desampararei." Isaías 41:10,13,17

"Os meus olhos estão continuamente no SENHOR, pois ele tirará os meus pés da rede.
Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito. As ânsias do meu coração se têm multiplicado; tira-me dos meus apertos. Olha para a minha aflição e para a minha dor, e perdoa todos os meus pecados. Guarda a minha alma, e livra-me; não me deixes confundido, porquanto confio em ti. Guardem-me a sinceridade e a retidão, porquanto espero em ti." Sl 25:15-21

"O SENHOR dará força ao seu povo; o SENHOR abençoará o seu povo com paz." Sl 29:11



"Nessas horas que eu me lembro
Que o sofrimento é um megafone
É Deus pra mim gritando que eu não sou o super-homem
Que eu sou de carne e osso que eu vou passar sufoco
Vou fazer o quê? Não vou esconder meu choro
Às vezes é mais fácil fingir, eu sei
Fazer de conta que tá tudo bem que tá tudo zen
Disfarçar que não tem nada dando errado
Mas eu não sou o superman...
Eu sou diferente, igual a todo mundo
Sem Você eu não sou ninguém
Eu sou igual a todo mundo
Não existe superman...
Eu vou insistir em Te acompanhar
Haja o que houver, acredite quem quiser
Mesmo tropeçando eu tô aprendendo
Tô descobrindo que pra tudo existe um tempo
Por isso eu tô na luta, tô sobrevivendo
São nessas horas que eu me lembro
Que às vezes eu machuco, às vezes me machuco
Explodindo por fora, explodindo por dentro
Mas eu tô aprendendo, tô aprendendo..." ("Superman" Composição: Bene, Marcão, Sylas e Alexandre Carvalho)



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Igreja??

Há algum tempo eu me perguntava em meio aos cultos dominicais: "o que estou fazendo aqui?". Bem, a resposta parecia óbvia: Deus nos fez para a glória dEle! Estou aqui para servi-Lo.
E isso é verdade, cada crstão é chamado para servir a Deus com seus dons e talentos. Entetranto muitas vezes esquecemos de levar isso para fora dos templos! Investimos tanto em programações especiais como encontros de louvor, noite gospel, reunião de jovens, passeios, seminários e blá blá blá. Oramos para que a nossa igreja faça a diferença no lugar em que ela está, mas esquecemos que nós também somos a igreja. Fazemos cultos evangelísticos para os próprios membros da igreja porque não estamos saindo lá fora onde os pecadores estão. E ultimamente me sinto muito incomodada com isso. Entretanto tenho entregado isso a Deus e Ele tem nos dado a oportunidade de sair, Ele tem abrido as portas e louvamos ao Senhor pela chance que Ele tem nos concedido de atuar fora dos templos.
Quero compartilhar com vocês alguns trechos de um livro que eu li recentemente, espero que abençoe a vida de vocês também! E que possamos refletir no que temos feito ao mundo como a Igreja de Cristo.

"Ação e reação, agitar e agir... tem que ter fé, correr atrás. " (Marcão)

"Nós temos feito de Deus um mensageiro, um entregador de recados. Esquecemos que Ele é o Gerente Geral! Nós nos ocupamos em dizer a Deus para
fazer todas as coisas desejáveis que nós mesmos devíamos fazer — visitar o pobre e necessitado, ir e confortar os fracos, abençoar e ajudar os pobres, encorajar os encarcerados, apoiar os fracos e falar com os pecadores. Queremos que o Senhor faça todas essas coisas enquanto nós oramos.
Que religião conveniente que desenvolvemos!
Permitam que eu lhes faça a seguinte pergunta:

Vocês podem me apontar uma única coisa que Jesus Cristo pode fazer em sua cidade ou comunidade sem um corpo através do qual Ele possa operar?
...
Você é a Igreja. A Igreja é o Corpo de Cristo. Você é o Corpo de Cristo em sua comunidade.

Cristo ministra através do Seu Corpo hoje da mesma forma em que (Cristo) ministrou através de um corpo humano há mais de 1900 anos passados. Hoje o Seu Corpo é a Igreja — e a Igreja sou EU — o meu corpo, e VOCÊ o Seu corpo.
Nós somos o Seu templo.
...

Nós falamos a respeito da Igreja, ou do Corpo de Cristo como sendo a mística união de crentes, a comunidade dos chamados, e isto é tudo verdade. Mas como toda verdade, ela tem que se tornar PESSOAL, caso contrário será perdida. Temos considerado o Corpo de Cristo no seu sentido geral, coletivo, mas não em sua aplicação pessoal. Cristo deve viver em nós pessoalmente.
...

Cristo não pode ir visitar o prisioneiro a menos que Ele vá em seu corpo. Ele irá EM VOCÊ. VOCÊ é a Igreja. Quando VOCÊ visitar o prisioneiro, Cristo o visitará.
Como já disse, nós fizemos de Deus um mensageiro através da nossa tradição de oração.
Não me compreendam mal, A ORAÇÃO é vital para cada cristão.
Cristo nos ensinou a orar.
Mas Ele fez mais do que orar; Ele andou fazendo o bem, testemunhando, confortando, visitando, falando, mostrando compaixão, demonstrando Deus em ação.
Se não fizermos algo mais do que orar, se nunca visitarmos os perdidos e testemunharmos aos pecadores, eles jamais ouvirão o convite de Cristo para serem salvos. Devemos orar, sim, mas em seguida devemos nos levantar e ir em busca das almas.
...
Em seu livro, sobre "ASSIM UMA IGREJA CONQUISTA ALMAS". Editado por O. S. Boyer, Caixa Postal 62, Pindamonhangaba, São Paulo, Gene Edwards diz:

"Nós tentamos evangelizar o mundo... evangelizando o edifício da Igreja ... cada sala, e cada banco. É a área mais evangelizada da terra. Da maneira pela qual trabalhamos nisso, daria para pensar que o edifício necessitasse de conversão. Trabalhamos como se toda as pessoas perdidas do mundo estivessem lá"!
O único problema é que os pecadores, os inconvertidos não estão lá — nunca estiveram lá — nunca estarão lá. Eles estão em toda parte menos onde estamos tentando conseguir que eles venham — dentro da igreja. A necessidade berrante é de ir onde eles estão e ganhá-los lá, ENTÃO eles virão à Igreja.
"Hoje, o conceito de evangelismo de edifício de Igreja é o maior impedimento para evangelização mundial. Não porque possuímos edifícios de igrejas — mas porque não queremos sair para fora deles!"
Mr. Edwards chegou até ao ponto de dizer: "Um edifício de igreja serve a um propósito: evitar que você se esfrie no inverno, se esquente no verão ou se molhe quando chove!
Este não é um apelo para que você incendeie a sua igreja . . . mas para que ela seja colocada em perspectiva certa! Perceba que evangelismo não é para ser centralizado dentro do edifício da igreja. Deverá ser centralizado fora do edifício da igreja.

Esta geração evangeliza a igreja, as salas de aula, os púlpitos — mas não o mundo. O edifício da igreja tornou-se a área mais segregada na terra — o local onde grupos denominacionais se reúnem e ministram a si mesmos em isolamento." (T.L Osborn)


"De que adiantam frases bonitas, soltas ao vento?
De que adianta esse discurso decorado?
Às vezes tanta retórica se torna algo tão hipócrita,
Crer e não fazer não faz nenhum sentido, não!

As pessoas estão famintas, fome e sede de justiça!
As pessoas estão sedentas, mas a alma continua vazia!
Elas querem fatos concretos e, ver, às vezes, é melhor que ouvir;
A nossa mão estendida fala mais que o nosso blá-blá-blá!

Tem muita gente falando e muita gente não realizando!
A ceara é tão grande, onde está você? Onde está você?
Há tanta coisa por fazer!

O que a gente faz fala muito mais do que só falar!

De que adianta fazer o serviço pela metade?
Pra conseguir mudar o mundo tem que ser com a mão no arado!
A gente não pode ser locutor, espectador!
A gente tem que intervir, construir, participar!" (Retórica- Fruto Sagrado)

Que o Deus de amor nos ajude... eu quero ir!
Ósculos Santos!!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Preservando o compromisso

O meu coração se alegra ao ler o livro de Rute. Há grandes exemplos de caráter nesse pequeno livro de 4 capítulos. Eu fico imaginando como aconteceu cada cena da história. Imagino as roupas, os cenários, os objetos, as casas, enfim... Infelizmente com uma visão um pouco "hollywoodiana"(rsrs), mas não deixa de ser belo. E o que mais me chama atenção nesse livro é o compromisso de Rute. Na bíblia há muitos personagens que mantiveram-se fiéis no compromisso com Deus. Falei de Abraão num post aqui no blog, em como ele foi fiel obedecendo a Deus e saindo do meio de seu povo. Mas há algo muito peculiar no caso de Rute. Ela decidiu sair do meio do seu povo por vontade própria. Deus não chegou até ela e disse: "Rute, saia da tua parentela e vá com sua sogra Noemi para a terra de Belém." E o Senhor tampouco fez promessas a essa jovem moabita de que dela sairia uma nobre descendência. As únicas motivações de Rute foram o amor e a fidelidade para com a sua sogra claramente observados nessas passagens:

"Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre filhos, para que vos sejam maridos?...Então, de novo, choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela...Disse porém Rute : Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti." Rute (1:11,15-17)

O mais engraçado nessa história é que Orfa não fez algo errado. Sua sogra disse para ela partir e quem sabe encontrar um galã moabita, casar-se e ter uma família linda e feliz?!! Orfa resistiu por uns instantes, mas ela não foi firme na sua decisão. Talvez ela tenha dito que não partiria movida por uma emoção diante de tanto sofrimento. Mas Noemi insistiu para que as duas partissem, e bem, lá se foi Orfa. Mas uma moça decidida e abnegada disse em outras palavras: "prefiro sofrer qualquer coisa do que desistir de você sogrinha". O compromisso descreve uma ligação permanente de corações e de vidas que vai além do companheirismo passageiro. É muito mais que uma emoção, ele exige ação, não é possível separá-lo da responsabilidade. O compromisso desenvolve a fé e forma o caráter. É uma disciplina espiritual, é para a vida toda, requer tempo, trabalho e determinação.
E infelizmente isso tem se tornado cada vez mais escasso no mundo atual. Nem mesmo o compromisso com Jesus é mantido. Os altos e baixos da vida sempre existirão, isso significa que compromissos sempre serão testados. Mas devemos seguir o exemplo de Rute e mantê-lo ainda que surjam oportunidades "melhores". Devemos ser decididos, determinados. O mundo seria bem melhor se seres humanos não desistissem uns dos outros tão facilmente. E seria ainda "muito mais melhor de bom" se pessoas não desistissem de amar Jesus profundamente e eternamente.
Vou terminar com um versículo : "...pois tua nora, que te ama,..., te é melhor do que sete filhos." (Rute 4:15).
Não precisa dizer mais né??!

Sublime paz!!

PS: Eu já havia escrito esse post há alguns dias antes de postá-lo aqui. E hoje me veio a mente tantos casos que tenho acompanhado de famílias sendo desfeitas, de casamentos frustrados, de relacionamentos rompidos... e é com lágrimas que expresso o meu pesar. Não deveria ser assim. O que está acontecendo? Eu clamo a Deus por essas vidas. Em 23 anos a taxa de divórcio cresceu 200%. Diante dessa situação muitos já estão desacreditados. Mas eu ainda acredito. Eu acredito no amor, acredito em contos de Deus, acredito que é possível preservar o compromisso, ainda que ele seja testado por terríveis situações. Que o Senhor cumpra Sua perfeita vontade em nós e nos ajude a preservar sobretudo o nosso compromisso com o maior e melhor amor de nossas vidas, Jesus Cristo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Não se contente em molhar os pés


Certa vez ouvi alguém dizer: "há dois tipos de pessoas que seguem Jesus. O primeiro é aquele que na sua caminhada decide molhar apenas os pés. Não há muita dificuldade em andar em águas rasas , mas o preço pago é muito grande: não se pode desfrutar da beleza natural das profundezas. E também há aquele que decide mergulhar profundamente, mas também paga um preço por isso: ele terá que lidar com seus medos e aprender a viver pela fé."
Diante disso fiquei lembrando do que Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Ele não disse que mostraria o caminho, que sabia o caminho e nem que me daria um mapa do caminho. Quando molhamos os pés caminhamos guiados por aquilo que nossos olhos veem. Não estamos no caminho, seguimos direcionados por aquilo que entendemos ser o caminho. É como se estivéssemos com algum mapa detalhado em mãos e seguimos conforme aquilo que entendemos do mapa. Estamos a todo momento nos perguntando: "Qual a vontade de Deus para a minha vida?". Quando nos colocamos diante do Pai perguntamos: "O que o Senhor quer que eu faça? Como farei? Onde farei? Com quem farei?". Mas se Jesus disse ser o caminho então não precisamos dessas respostas se O seguirmos um dia de cada vez, passo a passo. Isso assim é mergulhar. Me surpreendi ao ler o texto de Gênesis 12.1-4 :

" Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
2 E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
3 E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
4 Assim partiu Abrão como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã."

Me surpreendeu o que Deus fez. Tadinho de Abraão, como ele ia sair do conforto da casa dos seus pais e de seus parentes e ir para um lugar que ele nem sabia onde? Imagino quantas perguntas ele tinha: "Meu Deus quanto tempo vai durar essa viajem? Quem vai comigo? Como vamos? O que devo levar na bagagem? Onde fica essa terra? Quem mora lá?" E a lista de perguntas poderia continuar. Mas Abraão foi. Ele não tinha um mapa em suas mãos. Deus era o seu mapa. E Abraão sabia que quando ele estivesse no lugar certo Deus iria dizer. No tempo certo Deus iria se manifestar. Ele decidiu dar um passo de cada vez, estreitar os laços com o Pai e não ficar de fora daquilo que o Senhor iria fazer. Em outras palavras Abraão decidiu mergulhar. E ultimamente Jesus tem me desafiado a mergulhar. Muitas vezes temos as respostas erradas porque fazemos as perguntas erradas. Ao invés de perguntarmos "Qual a vontade de Deus para a minha vida?" devemos perguntar "Qual a vontade de Deus?". E assim alinharmos nossas vidas à vontade dEle. Isso é seguir por fé e não por vista. Se sabemos todos os detalhes do amanhã de que consistirá a nossa fé? O que tenho pedido ao Pai todos os dias é : "Senhor, não me deixe de fora daquilo que queres realizar hoje". E assim eu tenho visto a ação de Deus na minha vida e passo a passo buscado conhecê-Lo mais. Não sei o que Ele quer especificamente, não sei para onde estou indo agora ...só sei que quero ir por Ele, Ele é o caminho. É hora de aprender a mergulhar!

Shalom!

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